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Correia dentada em carro francês: quando trocar em cada motor

Quando trocar a correia dentada em Renault, Peugeot e Citroën: referência por motor, por que trocar o kit completo e quais motores usam corrente.

Equipe Auto France · · 7 min de leitura

A correia dentada deve ser trocada pela quilometragem ou pelo tempo indicados no plano de manutenção do fabricante, o que vier primeiro, e nunca “quando der problema”, porque correia dentada não avisa antes de romper. Nos motores franceses a referência mais comum fica entre 60 mil e 100 mil km ou de 4 a 5 anos, mas o número exato muda conforme o motor, o ano e o tipo de uso. Alguns motores nem têm correia: usam corrente, que segue outra lógica.

O que a correia dentada faz

O motor tem duas partes que precisam girar em sincronia perfeita: o virabrequim, que é movido pelos pistões, e o comando de válvulas, que abre e fecha as válvulas. A correia dentada liga os dois, como a corrente de uma bicicleta liga o pedal à roda.

Se a correia rompe ou pula dentes, esse sincronismo acaba na hora.

O que acontece se a correia romper

Praticamente todos os motores franceses vendidos no Brasil são de interferência. Isso quer dizer que, com o motor funcionando, pistão e válvula ocupam o mesmo espaço em momentos diferentes. Enquanto a correia está inteira, eles nunca se encontram.

Quando a correia rompe, o virabrequim continua girando por inércia, mas o comando para. O pistão sobe e bate nas válvulas que ficaram abertas. O resultado costuma ser válvulas empenadas, e em casos piores pistão e cabeçote danificados. É retífica.

A troca preventiva do kit custa uma fração do conserto de um motor com válvulas empenadas. Esse é o motivo de não esticar o prazo.

Sinais de que a correia pede atenção

A correia raramente dá aviso claro, mas alguns sinais aparecem:

  • Chiado ou ruído agudo vindo da frente do motor, que pode ser tensor ou polia com rolamento gasto
  • Vazamento de óleo ou de aditivo na região da correia (óleo e aditivo estragam a borracha)
  • Correia com rachaduras, dentes gastos ou lona desfiando, vistos na inspeção
  • Carro sem histórico: comprou usado e não tem nota da última troca

No caso de carro usado sem comprovação, a regra é simples: troque o kit e comece a contar do zero.

Por que trocar o kit e não só a correia

A correia trabalha junto com outras peças:

  • Tensor: mantém a correia esticada na medida certa
  • Polia(s) guia ou esticadora: rolamentos que giram o tempo todo
  • Bomba d’água: em vários motores é movida pela própria correia dentada

Tensor e polias têm rolamentos que desgastam no mesmo ritmo da correia. Trocar só a correia e deixar um tensor velho é arriscar que ele trave e leve a correia nova junto. Quando a bomba d’água é movida pela correia, muitos mecânicos recomendam trocá-la no mesmo serviço, porque a mão de obra para chegar nela é quase a mesma.

Tabela de referência por motor

A tabela abaixo é orientativa. Ela mostra quais motores usam correia ou corrente e a faixa de intervalo que costuma aparecer nos planos de manutenção. O intervalo certo para o seu carro está no manual ou no plano de manutenção do fabricante para aquele ano e motor. Uso severo (trânsito pesado, trajetos curtos, poeira, reboque) antecipa a troca.

Motor Onde aparece Sincronismo Referência de troca
Renault 1.0 16V (D4D) Clio, Sandero e Logan de gerações anteriores Correia Faixa comum de 60 mil a 100 mil km ou 4 a 5 anos
Renault 1.6 8V (K7M) Sandero, Logan, Clio Correia Faixa comum de 60 mil a 100 mil km ou 4 a 5 anos
Renault 1.6 16V (K4M) Mégane, Sandero, Logan, Duster 1.6 até a chegada do SCe Correia Faixa comum de 60 mil a 100 mil km ou 4 a 5 anos
Renault 2.0 16V (F4R) Duster 2.0, Mégane 2.0, Oroch 2.0 Correia Faixa comum de 60 mil a 100 mil km ou 4 a 5 anos
Renault SCe 1.0 e 1.6 Kwid, Sandero, Logan, Duster, Captur, Oroch Corrente Sem troca programada; avaliar se houver ruído ou código de sincronismo
PSA 1.4 8V (TU3) Citroën C3, Peugeot 206 e 207 Correia Faixa comum de 60 mil a 100 mil km ou 4 a 5 anos
PSA 1.6 16V (TU5 e EC5 VTi) C3, C4 Cactus 1.6, 207, 208, 2008 Correia Faixa comum de 60 mil a 100 mil km ou 4 a 5 anos
PSA 2.0 16V (EW10) C4 Pallas 2.0, C4 hatch 2.0, Xsara Picasso, 307 2.0, 408 2.0 Correia Faixa comum de 60 mil a 100 mil km ou 4 a 5 anos
PSA 1.2 PureTech 208, 2008, C3 Correia banhada a óleo Seguir o plano atualizado da montadora, que inclui inspeções periódicas
PSA 1.6 THP (EP6) 208 GT, 308, 408, 2008, 3008, C4 Lounge, C4 Cactus THP Corrente Sem troca programada; trocar o kit ao primeiro sinal de estiramento

Se o seu motor não aparece aqui ou se você está em dúvida sobre a versão exata, o número do motor no documento ou na plaqueta resolve.

O caso especial do PureTech 1.2: correia banhada a óleo

No 1.2 PureTech de três cilindros, a correia dentada trabalha dentro do motor, mergulhada no óleo. A ideia é reduzir atrito e ruído. O problema é que, com óleo fora da especificação, combustível misturado ao óleo ou trocas atrasadas, a borracha dessa correia se degrada e solta pedaços.

Esses fragmentos vão parar no pescador da bomba de óleo, que é a entrada de óleo da bomba, e podem entupir a passagem. Aí o motor perde pressão de óleo, o que é muito mais grave do que a correia em si. A montadora revisou os intervalos originais desse motor e passou a recomendar inspeções da correia. Por isso:

  • Use somente o óleo com a norma PSA indicada para o PureTech
  • Não atrase a troca de óleo
  • Siga a versão atualizada do plano de manutenção, e não o que estava no manual quando o carro saiu da fábrica
  • Luz ou mensagem de pressão de óleo no PureTech exige parar e investigar na hora

Para entender o que muda de um óleo para outro, veja o artigo óleo sintético vs semissintético em carros franceses.

Motor com corrente também precisa de atenção

Corrente de comando não tem troca programada, mas não é eterna. Ela pode esticar, e os tensionadores e guias gastam. Isso é especialmente conhecido no THP 1.6, onde o kit corrente é um item de atenção. Já explicamos os sinais no artigo sobre os problemas mais comuns do motor THP.

Nos motores SCe da Renault a corrente costuma ser bem durável, desde que o óleo seja trocado no prazo. Em qualquer motor de corrente, barulho metálico na partida a frio é motivo para avaliar.

Perguntas frequentes

Posso trocar só a correia e deixar o tensor?

Não é recomendado. Tensor e polias desgastam junto com a correia, e se um deles travar, a correia nova rompe do mesmo jeito. O certo é trocar o kit.

Meu carro roda pouco. Preciso trocar pelo tempo mesmo assim?

Sim. A borracha envelhece e resseca mesmo parada. Por isso o plano traz quilometragem e tempo, valendo o que vier primeiro.

Como sei se a correia do meu carro usado já foi trocada?

Só com nota fiscal ou registro de manutenção. Muitas oficinas colam uma etiqueta no cofre do motor com a data e a quilometragem da troca. Sem comprovação, o mais seguro é trocar.

Qual a diferença de correia e corrente na prática?

A correia tem prazo de troca definido. A corrente não tem, mas depende muito do óleo em dia e precisa ser avaliada se fizer barulho.

Na Auto France, no Guará (SOF Sul), a gente troca kit de correia e de corrente em Peugeot, Citroën e Renault há mais de 20 anos, sempre conferindo o plano do fabricante para o seu motor. Veja como funciona na página de manutenção e reparo de motor e aproveite para conferir o que mais está previsto nas revisões do seu carro.

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